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Pensador

Pensador

Corridas Animalescas

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Olá a todos!
 
E qual é o tema que está na ordem do dia? Touradas... Ou Corridas de Touros, como preferirem.
 
Ressalvo já que já corri muitas vezes, e nunca me espetaram nada enquanto o fazia... Se calhar é normal, mas nunca me aconteceu.
Vou falar muito de cornos neste texto, pelo que espero não ferir ninguém... Ter cornos não é para todos, mas a quem os tenha, a minha solideriedade. Sem quaisquer ferros nas costas.
Mas o ser humano é muito isto, e desde cedo.
Quem nunca arrancou as asas a uma mosca? Sempre pensei que pousar em cocó preparava para qualquer coisa na vida, mas realmente mutilar é capaz de ser pior. Peço desculpa às muitas moscas verdejantes cujas asas eu confesso ter puxado um pouco demais.
Presumo que um touro numa arena, nem perceba muito bem o que se passa.
Vamos rapidamente fazer um raciocínio... Entro numa praceta cuja saída não vislumbro, ouço cornetas a tocar enquanto pessoas aplaudem, nisto entra um cavalo com fitinhas enquanto é montado por alguém que usa um casaco saído do Regresso ao Futuro Renascimento... Epá, espetem-me um ferro que isto não é fácil de digerir! Ou dois ou três ferros, isto se meterem um bandarilheiro na praceta! Mas continuando... Depois dito tudo aparece um grupo de amigos que ostentam orgulhosamente os seus testículos apertados com calças capazes de mudar o tom de voz de qualquer pessoa. AInda por cima imaginem que esses amigos estão a pedir confusão... É tipo um grupo de betos que vêm pedir a um grupo de motards que lhes desmaterializem a mandíbula! É parvo? É... Mas não pára por aqui...
Não esquecendo os remorsos dos betos terem passado a ingerir líquidos para os próximos dez meses por causa de mim e da violência que eu transpiro, ainda aí vem o melhor... Ou o motivo que me levaria a pedir que me pendurassem pelo pescoço num candeeiro.
Já viram um matador? Já olharam bem para um matador?
Matem-me antes sequer de falar nisto. Antes de me lembrar.
Imaginem depois de tudo o que vos contei, colocarem à vossa frente um homem másculo do alto dos inchaço dos seus testículos, apertados por umas viris leggings tipo corsário e com collants cor de rosa envolvidas numas sabrinas... 
Epa não... Espetem-me já! É que nem preciso pensar naquele chapéu nem na restante roupa, que parece saído do armário do Ken, depois de ele próprio sair do armário!
 
Se me metem numa coisa destas exijo falecer imediatamente... Nem quero pensar em mais nada!
 
Bem hajam e desculpem os sensíveis ao tema... Sei que a vossa paixão por esta tradição é por compaixão para com o animal.
 
 
 
 

 

Respeito à Dança

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Olá a todos!
 
Continuando na senda das memórias, deixo mais um texto escrito há uns tempinhos. Espero que continue a ser actual e que se lembrem do que falo.
 
Começou mais um aguardado programa televisivo, o “Achas que Sabes Dançar?”, e não podia deixar de escrever umas linhas acerca disso. Depois de ver alguns castings e para além de considerar que sou um bailarino exímio, também acho que tenho vergonha na cara para não me expor de algumas formas. Mexo as ancas de uma maneira que qualquer bailarino profissional se sentiria envergonhado... Agora falando a sério, no dia em que souber dançar bem até o Pai Natal deixa de ser somítico. Ao contrário do que esperava, e que mostra que sou um perfeito leigo na dança, afinal em Portugal há quem saiba dançar. Sobretudo em cima de uma coluna e com uns copos a mais. Era capaz de jurar que vi pessoal com garrafas de água com aditivos na fila do casting e com um cartão de consumo no bolso, mas não posso dar a certeza. 
Como não podia deixar de ser, tenho de fazer um paralelismo com o “Ídolos”. Prefiro este de longe, pois em matéria de cromos promete. Tiro o meu chapéu à sobriedade do júri que não é tão duro com os concorrentes. Prefere sim, desatar a rir na cara dos indivíduos que se propõem a este programa televisivo. É muito melhor rir à fartazana na cara dos miúdos do que lhes chamar “azeiteiros”. Não posso deixar de referir que tal como no “Ídolos” foi dito, neste programa de dança que também se deveria apostar em produto nacional. Que eu me recorde o Hip Hop não vem de Alfama nem o ballet vem da Ribeira do Porto. Defendo e exijo respeito pelas tradições portuguesas. Exijo que este programa divulgue tudo o que de rico temos a nível de dança. Onde está o Fandango onde imperam as esporas nas botas? Onde estão os Pauliteiros de Miranda com a sua máscula vestimenta? Ou o Corridinho do Algarve onde os casais imitam um parafuso? E o Bailinho da Madeira onde se presta homenagem aos marrecos? Isso sim é dança, e exijo o respeito que o nosso folclore merece.
 
Bem hajam!

 

Consulta Médica - A Aventura

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Olá a todos!
 
E como faz parte da tradição, nesta altura do ano, fica-se doente! Continuo a ser um tradicionalista! Menos na questão de Barrancos, se bem que entre estar a encarar um touro na arena, ou vir ao médico, a escolha é difícil... Vir a uma consulta não é para todos, e presumo que existem profissionais no que a frequentar os consultórios médicos diz respeito.
 
E passo a relatar... 
Estava com aquela sensação de que tinha um forno dentro de mim ligado no máximo, e que estava deitado sobre um iceberg... Estão a ver a sensação? Aquela que também parece que têm um bife preso no nariz, e que a quantidade de muco que vos sai das fossas nasais, é o suficiente para encher aquela piscina que sempre quiseram? Se aqui dizem que sim, vou achar estranho, já que uma piscina se enche com água! Mas continuando... 
Pois é! Eu estava doente! Doente o suficiente para ir ao médico... Doente como só os homens sabem estar... Pois uma mulher tem um ponto de doença bem mais acima. Mas isso seria outra conversa. 
Uma das coisas que reparo mal chego, é que para ter consulta temos de acordar depois de anoitecer e chegar lá antes da hora dos galos abrirem as pestanas, se as tiverem. E temos de lá chegar e esperar onde? No sítio ideal para receber pessoas doentes, na rua. Claro que como tudo isto faz sentido, ninguém reclama, até porque o segurança está ali para meter a ordem... E o segurança é imponente, em pé consegue passar por debaixo da máquina de vending! Quando o vi, tremi ligeiramente, mas pensei logo que seria da febre.
Quando finalmente abriram as portas, pensei que depois disto poderia ir tranquilamente a Pamplona ou aos saldos da Primark... Inacreditável a forma como idosos que nos parecem algo limitados, conseguem correr e empurrar-nos com a força de um urso. E isto para quê? Para terem lugar numa sala, onde a temperatura é programada também a pensar em que está doente, faz transpirar um Moçambicano na Suécia! 
Quando me tento recuperar desta batalha, ao nível daquelas do "Senhor dos Anéis", aparece o imponente segurança que avisa, que às 9 e meia da manhã iriam começar a distribuir as senhas e iniciar as marcações...  Eram 7! Ainda pensei ir embora, mas não quis dar parte de fraco ao pé daqueles obstinados idosos.
Quando me conformei com a ideia da espera, notei que a quantidade de pessoas no espaço, era muito maior do que estava no exterior... Penso que o Ministério da Saúde contrata figurantes, para compor a sala de espera. 
Como tinha pouco para fazer, comecei a ficar atento a tudo e digo-vos uma coisa... O conforto das cadeiras das salas de espera, é equivalente a uma cama com cavilhas! Mas aqui até se percebe, as taxas moderadoras são tão baixas, que não há receitas para grandes investimentos! E até porque é preciso desmotivar os viciados em ir ao médico! Por uns, pagam todos! 
Outra das coisas, que comecei a notar, mas presumo que seja para completar o "personagem doente", é que os idosos que vão ao médico tentam não tomar banho. Digo tentam, pois não é fácil aguentar o próprio cheiro nestas situações... Tentei não identificar os aromas, mas percebi logo, quais eram os idosos incontinentes... 
Um dos ponto altos, foi quando me apercebi da forma sociável como as idosas se relacionam umas com as outras... Fazem amizades nas salas de espera de uma forma tão rápida, que me provoca alguma estranheza. Fiquei a saber que as netas engravidaram todas precocemente, que abandonaram os estudos e foram para as caixas dos supermercados. Que os pais das crianças vendiam haxixe do manhoso e foram detidos sem previsão de saída. Fiquei a saber cada furúnculo que cada idosa tem e outras coisas que prefiro nem lembrar... 
Virei entretanto as minhas atenções, para uma senhora que espirrava tão fortemente que até mudava as feições a cada espirro. Em dois minutos gastou três maços de lenços de papel... Uma vergonha, se pensarmos na quantidade de árvores abatidas para que a senhora ranhosa limpasse o seu muco. Deviam fazer-lhe o mesmo que às árvores... Abatê-la!
 
Veio finalmente a minha consulta, coisa que agradeci, e sai de lá a correr, pois percebi que ir ao médico não é para todos... É preciso estômago e resistência ao nível do treino dado aos Comandos. 
Percebi que, nem que uma pessoa esteja a ver a luz, marcar a consulta demora horas e não falecer é uma sorte... Nem que seja de tédio. Já para não falar na entrada nos Centros de Saúde, onde é quase preciso partir a boca a 4 ou 5 velhas.
 
Bem hajam e mantenham-se saudáveis!